A realidade em presépio


É época de Natal, tempo propício para reflexão. O Colégio Franciscano Regina Pacis pensou um presépio diferente neste ano de 2019. A Coordenadora do SOR, juntamente com a Flávia (Coordenadora do Setor de Apoio a Inclusão) colocaram a mão na massa e a montagem vem sensibilizando muitas pessoas. Veja abaixo texto escrito pelo Padre Evandro, professor de Ensino Religioso no Colégio.
A REALIDADE EM PRESÉPIO
As formatações mais conservadoras costumam apontar para um tradicionalismo denominado clássico. Modelos conhecidos, repetidos ano após ano. Muito brilho, preferencialmente ouro e luzinhas coloridas para deixar bem claro: o natal nos ilude! Nos tira da realidade sofrida do ano cansativo e nos coloca, magicamente, em um lugar onde os fatos não nos interpelam a reflexão. Alguém pode dizer o contrário: o clima do natal nos faz mais caridosos, solidários! Concordo. Não por darmos mais cestas básicas nessa época, mas por sermos capazes de parar e reprogramar sonhos e esperanças, numa comunhão fraterna e humana. Isso, porém, não tem nos transformado.
Uma escola franciscana de nossa cidade me provocou nas vésperas deste natal. (Logo os franciscanos que deveriam fazer o tradicional presépio à exemplo de Francisco...oh!) Montaram um barraco de características bem urbanas na porta do colégio. Nele, as configurações dos pobres que dormem uma “noite feliz” na manjedoura do trabalhador desempregado, cujo carrinho de construção civil acolhe a vida nova. Emocionante! Inquietante! Impactante!
Enquanto observava o presépio, nada clássico, uma senhora da sociedade setelagoana comentava: “Não estou entendendo nada”!? Não consegui me conter e sugeri que ela fosse ao shopping e passasse pela rotatória logo depois do Corpo de Bombeiros, caminho para a casa do consumismo. Naquela rotatória ela veria aquela cena real. Um família que em seu barraco improvisado vive, cresce e irradia franciscanamente: PAZ E BEM!
Outra tentava tirar uma foto e dizia: “A grade atrapalha”! Mais uma vez tive que comentar: essa realidade anda mesmo aprisionada, reprimida, ignorada e esquecida por muitos. Penso que não precisava falar e nem explicar aquela representação. Ela grita porque choca com o modelo clássico fazendo-nos refletir. Nessa realidade dura e cruel é que ELE nasce hoje! Continua não existindo lugar para os meninos pobres, de famílias mendicantes e miseráveis que peregrinam pelas cidades. Não há hospedagem. Não há lugar. Não existe entendimento, nem liberdade.
Parabéns aos franciscanos que entenderam o Espírito de Francisco e continuam evangelizando ousadamente. Parabéns à escola que leva à reflexão e ao debate! Obrigado por essa aula!
O que mais gostei foi que os personagens não são apresentados com uma face A ou B. O rosto deveria ser um espelho! Queria me ver no olhar da mãe que não tem onde recostar a cabeça para amamentar o filho. No rosto do pai que não sabe se “o conselho” virá buscar a criança para um abrigo amanhã, e ele não pode evitar. Queria me ver criança na manjedoura do abandono sem saber nada da vida, apenas vivendo.
Padre Evandro Alves Bastos


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